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Dona Ana: Exemplo de luta e convivência com o semiárido.

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Uma prática bem presente nos dias atuais ainda é a troca de mudas e sementes quando as famílias de agricultores se visitam. Essa prática é fundamental para a garantia de segurança e soberania alimentar dos povos, além de garantir a diversidade e contribuir com a biodiversidade dentro dos sistemas de produção.

 

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Nesse contexto, uma figura de importância fundamental é o guardião de sementes.

 

Os guardiões de sementes estocam em seus quintais uma diversidade genética local, colaborando com a sobrevivência da agricultura familiar. E, uma dessas pessoas é Dona Ana Maria da Silva Gomes, 46 anos, residente do Projeto de Assentamento Professor Mauricio de Oliveira, localizado no município de Assú que ao longo de sua trajetória de vida, vêm guardando sementes nativas, conservando-as e selecionando-as.

 

Dona Ana uniu a vontade de trabalhar com a agricultura familiar e a oportunidade de morar em um local que pudesse desenvolver suas atividades e entrou na luta para conquistar seu espaço e sua terra. Em 2008 juntou seus pertences e foi morar no assentamento, juntamente com sua família.

 

“Hoje eu desenvolvo agricultura familiar, tenho um banco de sementes, faço artesanato, tenho meus animais de criação e ainda por cima sou cisterneira. No meio da agricultura a gente tem que aprender de tudo”

 

A agricultora, tem em sua propriedade um banco de sementes que formou através de suas coletas na mata e nos encontros que participou. Conseguiu, com o passar dos anos, juntar considerável variedade de sementes entre elas: O Mufumbo, Catanduba, Imburana, Sabia, Angico, Mucuna, Lírio Branco, Feijão, Milho, Gergelim preto, Gergelim branco, Fava, Jerimum, Melão, Pimentão, Pimentinha e Tento-carolina.

 

“Resolvi fazer meu banco de sementes, pra quando chegar o inverno eu não me preocupar em comprar elas
envenenadas. Eu já tenho as minhas guardadas. Isso é maravilhoso!.”

 

Essa prática é uma condição fundamental em uma região onde aprender a conviver com o clima é uma peça
fundamental para sobrevivência. No semiárido, as sementes acabam representando um patrimônio da agricultura local.

 

A forma como descreve o seu quintal, demonstra que Dona Ana com muita disposição, amor pelo que faz e
esperança, consegue romper as barreiras e realizar todos seus os sonhos. Um dos citados pela agricultora, foi conseguir seu viveiro de mudas.

 

Além de guardiã de sementes, dona Ana fez curso de cisterneira e logo após com ajuda de seu esposo, Damião Francisco Gomes, fez questão de construir sua própria cisterna calçadão, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação do Semiárido, executado pela COOPERVIDA. “Todo mundo duvidava que eu não era capaz, e eu disse vamos fazer e não vai haver nenhum vazamento, e foi dito e feito, estou
muito satisfeita, pois hoje posso dizer que colaborei para continuar com o meu quintal vivo, minhas plantas estavam quase morrendo, eu quase perdia tudo, na minha casa não tem mais problema de falta da água.” - Relata a agricultora

 

São histórias que nem essas que nos fazem acreditar que o semiárido já está deixando a muito tempo de ser sinônimo de terra improdutiva por falta de água, hoje o que podemos ver é experiências iguais a essas de Dona Ana, que conseguem fazer da dificuldade um impulso para a sobrevivência, aproveitando todas as oportunidades, resistindo à seca e fortalecendo agricultura familiar de todas as formas, desde a estocagem de sementes até a construção

 

Veja mais fotos no facebook da Coopervida: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=367193420132557&id=173850716133496


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